Pular para o conteúdo principal

As duas versões do caso Von Richtofen

 Eu não vivi a comoção do caso Von Richtofen. Quando o crime aconteceu eu tinha pouco mais de dois anos, obviamente não lembro de nada embora saiba de toda a comoção que envolveu o assassinato do casal Manfred e Marísia Von Richtofen por Daniel e Christian Cravinhos, a mando de Suzane Von Richtofen. Dito isso, tudo que eu sei sobre o caso vem de noticias posteriores e do imaginário popular. Por isso me interessei em ver os filmes sobre o caso, disponíveis no Prime Vídeo.

São dois filmes, "A Menina que Matou os Pais", que conta o ponto de vista de Daniel Cravinhos sobre o caso e "O Menino que Matou os Meus Pais", que conta o ponto de vista de Suzane Von Richtofen. Eu os vi na ordem sugerida, com o filme que trata o ponto de vista da Suzane primeiro, mas depois de ver os dois acho que a ordem não faz tanta diferença.

Os dois filmes tem o mesmo inicio, com a polícia chegando no local na noite do crime. Algumas cenas se repetem, mas sempre com alguma fala diferente, ou com os papéis invertidos ou algum detalhe que não é mostrado no outro filme. 

Os dois filmes separadamente perdem um pouco do sentido, e é nítido que são feitos para serem vistos em sequência, sinceramente, não entendi a escolha por dois filmes. Acho que o ideal seria uma narrativa em que as duas versões se alternassem de forma mais frequente, talvez em um formato de minissérie, que ao meu ver seria o ideal. Ao menos esses filmes estrearam no streaming e não no cinema, imagino que seria frustrante ir em uma sessão de cinema para ver apenas metade da história. 

Indo além do formato, mas continuando na parte técnica, as atuações se destacam demais, principalmente dos dois protagonistas, a mudança de papel dos personagens nos filmes convence. E até alguns dos personagens secundários tem mudanças notáveis nos dois filmes. Tenho que elogiar também a escolha da trilha sonora, principalmente pelas versões de "Love Will Tear Us Apart" no clímax dos filmes. Eu adoro a versão original, do Joy Division, e as versões que tocam nos filmes combinam bem com o momento.

Apesar de eu discordar do formato escolhido para os filmes, acho que vale a pena ver os dois, sobretudo para quem se interessa por true crime. Como disse no começo, eu não acompanhei a comoção em volta do caso e o filme traz várias informações que para mim eram desconhecidas.

A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou os Meus Pais estão ambos disponíveis no Amazon Prime Vídeo 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tenacious D e a zona de conforto

 Você possivelmente conhece Tenacious D como "a banda do Jack Black" ou talvez como "a banda que colocou o Júnior Groovador no Palco Mundo do Rock in Rio", talvez você nem conheça Tenacious D (o que é um erro, já que a banda é maravilhosa). Ou talvez você, assim como eu, conheceu eles pelo filme de 2006. O filme é ruim, eu reconheço, mas eu gosto dele mesmo assim, e as músicas são excelentes, tanto que o álbum com a trilha sonora é o melhor da carreira da banda, e foi o que alavancou eles para o sucesso (além do fato de ser a banda do Jack Black). O filme é um musical de comédia, seus personagens principais são o garoto do interior que vai para a cidade grande em busca do sonho de se tornar um astro do rock (Jack Black) e o cara que está já a muito tempo nessa busca sem tanto sucesso (Kyle Gass). Eles se juntam em uma banda, a Tenacious D, e vão em busca do que eles julgam ser o amuleto para o sucesso: A Palheta do Destino O plot do filme seria digno de um filme de ...

Tomb Raider (2013): um reboot que funciona

 O primeiro Tomb Raider foi lançado 25 anos atrás e foi um sucesso, a franquia desde então se tornou uma das mais reconhecíveis dos videogames e virou até filme, muitos jogos foram influenciados pelas aventuras de Lara Croft, com Uncharted sendo uma franquia bem sucedida claramente inspirada em Tomb Raider (e em Indiana Jones, que também serviu de inspiração para a Eidos). Em 2013, depois de mais de 15 anos do jogo original e da aquisição da Eidos pela Square Enix, a franquia teve um reboot, dando inicio a trilogia de jogos mais atual (que teve também Rise of the Tomb Raider e Shadow of the Tomb Raider). E é sobre esse reboot que eu vou comentar hoje. O jogo é obviamente muito fiel a formula original da franquia, mas também bebe muito nas influências do que veio depois, com uma influência sensível de Uncharted no pacote. O jogo serve como uma forma de modernizar a franquia as tendências mais atuais, com uma história contada através de cutscenes, quick-time events e colecionáveis co...

Half-Life: Opposing Force é mais uma versão de Half-Life

 Como se pode ver pelos textos recentes deste blog, eu tirei os últimos dias para terminar a trilogia de Half-Life para os acontecimentos do primeiro jogo, embora eu os tenha jogado na ordem inversa ao lançamento, jogando Blue Shift primeiro e Opposing Force depois, não muda muita coisa, já que os dois jogos se passam em um mesmo período de tempo, que também é o mesmo do primeiro Half-Life. Opposing Force desta vez traz o ponto de vista de Adrian Shephard, um militar enviado para Black Mesa após os incidentes do início de Half Life, ou seja, desta vez os militares estão do seu lado. O jogo traz muitos cenários reutilizados de Half-Life, incluindo uma aparição de Gordon Freeman em certo momento, porém, ele também traz uma grande variedade, com novas armas, inimigos, mecânicas e até outro chefe final Opposing Force é consideravelmente mais curto que Half-Life, embora seja mais longo que Blue Shift, também traz mais variedade, a mecânica de subir por cordas é interessante e bem utiliz...